Câmbio Automático - O Que Saber

Câmbio Automático - O Que Saber
Com o avanço dos investimentos da indústria automobilísitica, a utilização de tecnologias que tragam mais conforto ao motorista e aos ocupantes de um veículo torna-se cada vez mais acessível. Um dos componentes que mais se desenvolveu nas últimas décadas foi o câmbio, responsável pela transformação do torque do motor em movimento do veículo.
O câmbio automático, ao contrário do que muitos pensam, é uma tecnologia utilizada em ampla escala em países como os Estados Unidos desde os primórdios da indústria automobilísta. O primeiro câmbio automático foi instalado em 1938, em um Oldsmoblie, divisão da General Motors (GM) americana.
Curiosidade: em alguns sites de pesquisa (ex: Wikipedia), consta que o câmbio automático foi inventado por dois engenheiros brasileiros,  José Braz Araripe e Fernando Lemos em 1932, que venderam os direitos de utilização à GM.
Normalmente, o câmbio automático apresenta a seguinte configuração:
P – Park: para estacionar, recomendado para dar a partida e desligar o motor do automóvel. Bloqueia as rodas de tração.
R – Reverse: marcha-a-ré.
N – Neutral: ponto morto. Posição que pode ser usada ao dar a partida e desligar. Não bloqueia as rodas de tração.
D – Drive: para movimentar o veículo para frente, usado na maior parte do tempo de direção.
M – Manual: para que se possa trocar as marchas manualmente. Essa troca manual pode ser na própria alavanca de câmbio ou em borboletas/teclas no volante, normalmente com os símbolos “+” para subir as marchas e “-” para reduzir as marchas. Disponível em alguns modelos.
4-3-2-1: Posições que permitem o bloqueio das marchas em 4ª, 3ª, 2ª e 1ª. O bloqueio é usado em situações extremas quando o veículo troca várias vezes de uma marcha para outra.
Alguns modelos de câmbio automático possuem uma tecla que desliga o overdrive (O/D OFF). O overdrive é a última marcha do veículo, com uma relação de transmissão muito baixa, o que faz a rotação do motor ficar baixa em velocidades de cruzeiro, reduzindo assim o consumo de combustível.
Como utilizar o câmbio automático
Muitas pessoas que estão habituadas a utilizar veículos com câmbio manual ficam receosas em comprar automóveis com câmbio automático, por acreditar que não irão saber dirigir com esse tipo de transmissão. É claro que, no início, a adaptação é um pouco complicada, pois o cerébro instintivamente comanda a ação de “pisar no pedal de embraegem” e, não raro, o pedal de freio é acionado e o carro para instantaneamente, causando um susto nas pessoas e nos veículos ao redor, podendo causar um acidente. Entretanto, esse período de adaptação é muito menor do que se possa supor, pois nos primeiros kilometros já se sente as vantagens desse tipo de câmbio.
Porém, mesmo os motoristas mais habituados a dirigir carros automáticos desconhecem alguns cuidados e procedimentos fundamentais à condução de veículos com essa configuração. Vou listar algumas perguntas e respostas levando em conta condições recorrentes que passam despercebidas por nós e que poderiam ser evitadas, melhorando a condição geral do automóvel, aumentando a segurança e a economia.

Posso posicionar a alavanca em PARK para estacionar e não utilizar o freio de mão?
R: NÃO. A posição P (Park), usada nas situações de estacionamento, NÃO EXCLUI a necessidade de se acionar o freio de mão, diferentemente do que muitos imaginam. Realmente o veículo fica imobilizado nessa posição mesmo sem o freio de mão, porém, o carro fica travado pelo câmbio, o que pode reduzir sua vida útil. Toda vez que se coloca a alavanca em P sem o freio de mão, o veículo se movimenta levemente até travar as rodas. Depois, quando se deseja movimentar o carro novamente, em 100% dos casos ocorre um leve “tranco” no câmbio. Esse tranco é extremamente prejudicial aos componentes do câmbio e, conforme o tempo e a frequencia dessa condição, ocorre a redução considerável da vida útil deste componente.

Para que serve a tecla “O/D OFF” e como e quando devo utilizá-la?
R: A tecla “O/D OFF” serve para desligar o overdrive (sobremarcha em português). Quem tem costume de dirigir automáticos em situações de subida de serra, sabe que é bastante incômodo notar que o câmbio fica alternando entre uma marcha mais alta e uma mais baixa constantemente, buscando a melhor relação potência/torque. Ao se acinoar o botão O/D, a última marcha ficará bloqueada e, assim, manterá o motor em rotação média/alta, evitando as trocas constantes. Da mesma forma as posições, 4-3-2-1 são uteis para essa condição, dependendo da severidade da subida.
A condição de descida de serra ou de ladeiras é exatamente igual à de subida, porém a intenção nesse caso é utilizar o freio motor para auxiliar no controle da velocidade do veículo. Os câmbios automáticos normalmente tendem a reduzir o atrito do acoplamento câmbio/motor nessas condições, o que dá a impressão que o veículo está descendo uma ladeira “na banguela”. Essa situação é arriscada, pois a necessidade de se utilizar o freio do carro é maior, o que pode ocasionar a fadiga do sistema e a perda de eficiência em utilizações extremas. Nesse caso, o ideal é desligar o overdrive e, em situações de descidas íngrimes, posicionar a alavanca em 4-3-2-1. Assim, o freio motor irá atuar, auxiliando na descida, poupando os freios do veículo.

Em caso de pane elétrica, posso fazer o carro “pegar no tranco”?
R: NÃO. EM HIPÓTESE ALGUMA deve se utilizar a técnica de “pegar no tranco” em veículos automáticos. Em caso de falta de energia por causa da bateria descarregada, o certo é trocar a mesma por uma nova e tentar ligar o carro. Porém, em situações emergenciais, é permitida também a utilização de “chupeta”, onde através de cabos especiais, liga-se a bateria descarregada a uma bateria carregada. Tal procedimento deve ser executado com cautela, para não inverter a polaridade dos cabos e causar um curto-circuito em ambos os veículos.

Posso posicionar a alavanca em “N” ao parar em um semáforo?
R: SIM. A posição “N” serve para essas situações de parada temporária. Funciona da mesma forma de um câmbio manual, pois desaclopa o sistema, aliviando a força no motor. Quando parado e a alavanca em “D”, veículos automáticos necessitam de acionamento do freio para que o mesmo não comece a andar. Deixando em “N”, poupa-se freio e combustível. Alguns veículos mantem-se parados nessa condição, mesmo sem acionar o freio.

Posso colocar a alavanca em “R” com o carro ainda em movimento para a frente?
R: NÃO. A posição “R” deve ser acionada sempre com o carro totalmente parado. Isso porque, ao acionar essa posição, ocorre uma reversão no sentido de rotação das engrenagens do câmbio. Forçar essa reversão sem o sistema completamente parado pode ocasionar a quebra dos dentes das engrenagens do câmbio e um prejuízo elevado para efetuar o reparo. Essa regra vale também para os carros com câmbio manual.

É necessário trocar o óleo do câmbio juntamente com o óleo do motor?
R: NÃO. Os câmbios automáticos são projetados para que não haja a necessidade de substituição do fluido hidráulico durante a vida útil do carro. Algumas pessoas aconselham a substituição do fluido hidráulico por precaução quando a kilometragem estiver alta, porém não é mandatório. Entretanto, é necessário verificar o nível de óleo e o aspecto do mesmo, pois uma mudança na coloração e/ou nível poderá indicar algum defeito no sistema, que deve ser reparado o quanto antes.

Fazendo uso desses cuidados, o prazer em dirigir um veículo automático será constante, visto que o conforto aumenta consideravelmente e o stress diminui, principalmente em situações de trânsito pesado, como temos cada vez mais contante em nosso cotidiano.
Caso tenha mais alguma dúvida, mande-me mensagem pelo formulário do site ou para fbbarbuto@gmail.com.

Um grande abraço.

2 comentários :

  1. Li um post de vcs na internet e resolvi enviar este e-mail solicitando ajuda.

    Adquiri em 2007 um veículo diesel automático (triptronic) ano 2005 e em 2011 após defeito na caixa de marcha (trancos), luz da injeção e tração acesas resolvi levá-lo a autorizada que condenou algumas peças, inclusive a alavanca do cambio.
    Autorizei a realização de todos os reparos, inclusive a substituição do cambio e após entrega do veículo e fechamento da ordem de serviço foi constatado vícios, pois, os problemas permaneceram (falta de força, luzes injeção e tração acendem eventualmente, tranco na passagem da marcha e troca de marcha somente a partir de 4.000 giros).

    Após ingresso de ação na justiça foi determinado uma perícia técnica para constatar os problemas no cambio, porém, o veículo foi mantido por aproximadamente 04 anos parado na concessionária sob intempéries do tempo ocasionando outros danos.

    Diante do exposto preciso elaborar perguntas diretas ao perito para constatação dos defeitos, tanto do cambio como os danos pelo tempo.

    Elaborei as questões abaixo e gostaria de receber críticas e/ou sugestões quanto aos questionamentos ao perito para conclusão do processo judicial.

    1. A substituição de caixas de marchas do veículo Pajero Full HPE 2005 implica na substituição e peças dependentes / acessórias?

    2. Quais as peças necessárias a serem substituídas para o devido funcionamento da caixa de marcha do mencionado veículo e correção de todas as ocorrências da primeira OS aberta?

    3. O que pode ocasionar tranco ao passar da 2ª para 3ª marcha e a falta de potência do veículo?

    4. É normal o veículo trocar de marcha somente a partir de 4.000 giros (RPM)? O que pode ocasionar a passagem de marcha nestas condições?

    5. O veículo está com força total de torque ou apresenta alguma falha neste sentido?

    6. Qual a média da desvalorização que o veículo sofreu após mais de 04 anos parado?

    7. Considerando um veículo parado por mais de 04 anos sob condições severas de intempéries, existem danos ou inutilização de pneus, bateria, borrachas, correias, discos, estofamento, lentes do farol e lanternas, plásticos de acabamento, rolamentos, pastilhas e pinças de freio, fluídos, sistema elétrico, sistema de refrigeração, válvulas eletromecânicas e pneumáticas, amortecedores, bicos injetores, bomba d’água, display e outros componentes eletrônico sensíveis, assim como, pintura externa?

    8. Existe risco de danos materiais e segurança ao condutor em conduzir um veículo parado por mais de 04 anos sem atentar para revisão e substituição dos itens acima como pneus, borrachas, fluídos, sistema de frenagem e outros?

    9. É correta a afirmação que dar a partida no motor eventualmente em carro parado não é o suficiente, pois o certo seria dar uma volta pelo menos com ele para circularem todos os óleos e graxas, movimentando as peças móveis e recomendo-se ainda, após longos períodos de inatividade que as borrachas sejam trocadas para evitar vazamentos e ruídos por ressecamento ?


    Antecipadamente agradeço pela ajuda

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